A Oficina

A Oficina de Gravura Carlos Oswald foi inaugurada no final de 2004. É um ateliê coletivo orientado por Gabriel Vieira e Luciane Chio, voltado para a prática de técnicas de gravação e impressão artísticas. Seu ambiente de trabalho propicia troca cotidiana de informações e aspectos técnicos, acrescentando novas possibilidades ao desenvolvimento pessoal de cada autor, respeitando sempre sua individualidade.

O ensino da gravura não é uma atividade recente dentro do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. É peça fundamental de sua estrutura desde sua fundação. No século XIX, a instituição já entendia a necessidade do ensino e prática das técnicas gráficas. Nesse período, a gravura ainda não se apresentava como artística, mas sim como obra de registro e reprodução. Diversas foram suas modalidades e, da mesma forma, gravadores, litógrafos e tipógrafos participaram dos seus quadros de professores. Emprestavam suas oficinas particulares e também lecionavam dentro do Liceu, onde muitos alunos estudavam a noite para melhorar o desempenho em suas profissões. Este sistema manteve-se até o final dos oitocentos, pois só em 1890 as primeiras oficinas exclusivas para a gravura foram criadas em suas dependências.

A gravura do Liceu foi atuante nos principais acontecimentos que fortaleceram esta arte em nosso país. A criação das suas primeiras oficinas gráficas coincidiu com o desenvolvimento da litografia como meio de multiplicação e comunicação. Seus talho-docistas estavam entre os mais proeminentes de sua época. Quanto à xilogravura, Modesto Brocos, considerado um dos primeiros grandes xilógrafos a atuar no país, teve sua passagem na instituição. Ele foi o responsável pela compra de materiais e prensas que supririam a Oficina de Água-forte, matriarca do ensino da gravura artística em nosso país. Também seria o titular da cadeira, porém quem assumiu a oficina como professor foi Carlos Oswald. Em um artigo publicado no Jornal do Commercio em 21 de maio de 1961, o próprio Carlos Oswald escreve com propriedade que “(...) certamente outro artista, mais cedo ou mais tarde, teria ocupado meu lugar de pioneiro da gravura artística no começo dos Novecentos; mas o fato indiscutível é que fui eu que dirigi, iniciei e acompanhei, até a maturidade, o movimento da arte gráfica no Brasil. Disto me orgulho e seria uma falsa modéstia o querer ficar escondido e esquecido (...)”. Para ilustrar suas palavras podemos citar sua participação no desenvolvimento da Primeira Exposição Carioca de Gravura a Água-forte inaugurada em 1919 junto da Primeira Exposição Carioca Artístico-Industrial de Litografia. O nome da Oficina vem em justa homenagem a este mestre gravador que persistiu apesar das dificuldades e tornou-se um grande nome da arte brasileira e, em especial, para a nossa gravura.

Honrando seu precedente, a Oficina de Gravura Carlos Oswald imprime sua marca graças a muito trabalho e dedicação contínua. Nos últimos anos, vem participando em diversas mostras e salões no Brasil e no exterior, obtendo destaque em alguns e premiações em outros. Tais atividades ampliaram nossa rede de conhecimentos e a difusão da gravura produzida em nosso ateliê.

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